O TDA/H dentro do ambiente escolar

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As diferenças entre querer tratar e querer entender. 

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Em sua monografia Pipas e Rabiolas a pesquisadora Ana Duarte mergulhou no universo do TDA/H (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), numa tentativa de tentar compreender melhor o funcionamento dessas mentes tão aceleradas, bem como de compilar argumentos que o defendem enquanto patologia genética e outros que o defendem como uma doença social. Ela aborda também a cultura da patologização comportamental, onde qualquer característica que “fuja da curva” já é considerada doença e passa a ser tratada com objetivo de se chegar ao modelo pré-determinado.

Como estudiosos do desenvolvimento integral através da atenção dirigida ao socioemocional, nos interessamos muito sobre esse assunto e resolvemos então trazer esse papo ao nosso blog, com base no trabalho de Ana, que conta ainda com uma pesquisa realizada em dois colégios e demonstra que uma leitura mais amorosa e menos crítica dos alunos que apresentam essas características, retira deles os rótulos patológicos e oferece resultados muito positivos.

 

O TDA/H: tão nebuloso quanto cada indivíduo existente?

Apesar de a literatura médica registrar documentos sobre o assunto que datam a partir do século XVII, o transtorno segue sendo uma grande incógnita para os pesquisadores atuais e, por conta disso, acaba chegando ao cidadão comum de forma bastante distorcida e nebulosa. O aumento significativo de casos diagnosticados nos últimos anos gera muitas dúvidas acerca de sua real existência: estaria a indústria farmacêutica inventando a doença com a finalidade de vender medicamentos, ou até os pais e professores na tentativa de justificar comportamentos não óbvios com os quais eles não gostariam de lidar?

Não chegaremos a uma conclusão com esse texto, tampouco Ana chegou com sua monografia – o intuito é abrir diálogo e estimular a reflexão. Porque um aluno não é capaz de seguir um modelo pré-determinado de comportamento e aprendizagem ele deve ser severamente punido ou até medicalizado? Ele deve se adequar à educação padronizada ou devemos pensar a educação para que ela seja mais acolhedora, inclusiva e entenda melhor as diferenças de cada sujeito? Parece um bicho de sete cabeças, mas na verdade não é difícil desconstruir esse “vício” em diagnosticar rapidamente.

Certamente necessitamos de olhares mais atentos sobre os indivíduos que apresentam limitações (ou exacerbações) comportamentais, frequentemente estigmatizadas, mas que costumam oferecer também um novo leque de capacidades cognitivas e criativas. O quanto nos esforçamos para mudar a visão distorcida sobre essas pessoas?

Aceitar respostas medicalizadas ou acolher o diferente?

A cada ano o número de “portadores do transtorno” cresce em progressão geométrica, alçando a doença ao status de “epidemia social”. A freneticidade exigida pelo cotidiano vem propiciando a aceitação dos diagnósticos sem maiores questionamentos, já que medicar exige menos esforço (tanto individual como coletivo), além de surtir efeito em um prazo curto. No entanto, sabemos que educar é trabalhoso. Não está faltando mais disposição e jogo de cintura?

Será que o gene defeituoso está nos indivíduos ou em um sistema educacional falho, cheio de “transtornos” em suas estruturas? Deveríamos mesmo estar medicando crianças simplesmente porque elas apresentam características incômodas à família ou ao sistema educacional, ou deveríamos nos abrir a possibilidades de lidar com elas de outras maneiras.

Em toda sala de aula haverá alunos que não se comportam como a maioria e que tem mais dificuldade em seguir o processo de aprendizado padrão. A educação deve ser multilateral para abranger a essas diferenças. O processo de humanização deve se sobrepor ao de racionalização.

Resultados obtidos na pesquisa de campo e nossas considerações

Em ambas as escolas pesquisadas por Ana, o TDA/H não é tratado como doença a ser medicada. Os alunos, em geral, são apontados como muito inteligentes, apesar de bastante distraídos, vindo a ser percebido pelos professores mais como uma questão de imaturidade para se adequar a um contexto mais rígido de sala de aula. Os docentes, no entanto, buscam aprender na prática a desenvolver mecanismos próprios para a adaptação e o aprendizado desses alunos.

Como agir com crianças que não demonstram estarem emocionalmente amadurecidas para a série em que estão? O estudo de Ana nessas duas instituições mostra que o “tratamento” mais eficaz é se aproximar desses alunos, conhecer seu histórico e contar com a ajuda da família nesse processo, que deve ser um trabalho em equipe. Também foi apontada a necessidade de um trabalho multidisciplinar nesse processo, contando com suportes pedagógicos e psicológicos.

Nós acreditamos, com base em pesquisas e em nossos valores, que a atenção a cada aluno e às suas atitudes e competências socioemocionais trazem aproximação, acolhimento, possibilidade e estratégias e, portanto, de resultados positivos. Entender que cada ser humano é único e que deve ser visto como tal aprimora o ensino e a qualidade da formação de cada indivíduo e, por fim, da sociedade como um todo.

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Avalie e desenvolva as competências socioemocionais

O VOA educação possibilita o acompanhamento do desenvolvimento socioemocional dos alunos, ao longo da rotina acadêmica, com o compromisso de colaborar com a equipe pedagógica no despertar da importância do olhar para as competências do século 21 no processo ensino-aprendizagem.

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