Você tem um minuto para falar sobre estresse?

por | 8 nov, 2019

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Se você não tem esse minuto, provavelmente está estressado. 

O corre corre da rotina e a quantidade de estímulos aos quais somos expostos diariamente vem aumentando o nível de estresse de toda  sociedade. De acordo com os dados do Boletim Estatístico da Previdência Social de 2011, o índice de afastamento de trabalhadores brasileiros por motivos de estresse cresceu 28% em relação ao ano anterior. Esses são os dados mais recentes que temos, mas é só olhar em volta que é possível concluir que esse número provavelmente cresceu ainda mais nesses últimos 8 anos.

São mais de 100 mil pessoas afastadas com esse diagnóstico por semestre, e, com isso, gastam-se mais de 30 bilhões de reais por ano com licenças  e doenças ligadas ao trabalho. Está mais do que claro que, enquanto sociedade, precisamos conversar sobre o estresse e elaborar estratégias para prevenir esse diagnóstico e não apenas para remediá-lo.

O estresse dentro das escolas

No ambiente escolar as fontes de estresse são variadas, tanto por parte dos alunos quanto por parte dos professores – e as consequências podem ser bastante graves. Por isso é tão necessário pensar e discutir atitudes que os professores podem tomar para prevenir essa doença  em meio aos desafios que a profissão oferece. 

É perceptível, com base em estudos psicológicos, que o professor tem uma enorme influência no processo de aprendizagem do aluno. Quem nunca ouviu falar de uma criança que tem pavor de matemática porque não gosta do professor? Os educadores podem servir como fonte de motivação do estudante… mas também causar o efeito contrário. Suas expectativas e atitudes impactam de formas positivas e negativas nesses alunos, e é de extrema importância que ele esteja fazendo o seu trabalho com a maior bagagem de inteligência emocional possível.

O esgotamento do corpo docente

Muitos professores estão se sentindo esgotados; sem energia física e mental. Eles frequentemente experimentam a sensação de que não vão conseguir se recuperar, se tornando intolerantes, irritados, insensíveis e rígidos demais em suas atitudes. Dessa forma, acabam minimizando seu vínculo afetivo com os alunos. A falta de realização profissional ainda costuma vir acompanhada de baixa autoestima e sensação de fracasso. Como comandar uma sala de aula inteira sentindo todo esse peso nas costas? Em 2008 foi conduzido um estudo em escolas públicas estaduais no interior de SP, com o objetivo de identificar a presença do estresse no Ensino Fundamental. O resultado revelou que mais de 50% dos professores podiam ser diagnosticados como estressados.

Descobrir as causas e exercitar medidas preventivas poderão auxiliar os professores a lidar melhor com o estresse e até a evitá-lo, de modo a apresentar uma vida mais saudável e, com isso, promover um ambiente letivo mais leve e próspero.

Principais causas de estresse do professor

A dinâmica da sala de aula: em geral, o professor dá aula para uma sala lotada de alunos, tem pouco espaço para se movimentar e conta, às vezes com recursos inadequados e obsoletos, às vezes com recursos tão modernos que ele não foi ensinado a usar corretamente. A quantidade de matéria, por sua vez, parece sempre muito maior do que a quantidade de dias de aula disponíveis no ano. Dar aulas para alunos de várias séries ao mesmo tempo também constitui um desafio a mais para os professores não suficientemente treinados, visto que além das diferenças entre as turmas ainda existe a necessidade de entrosamento com os colegas de profissão que ensinam nas mesmas séries, para que estejam todos alinhados. Também é necessário estar atento à motivação dos alunos, aos problemas cognitivos e emocionais que podem aparecer e, frequentemente, precisa lidar com situações de bullying e comportamentos bastante desafiadores.

Turmas novas surgem anualmente, mas os problemas básicos de sala de aula são repetidos constantemente. Tanto os professores quanto os alunos trazem seus sentimentos e necessidades pessoais para dentro de sala de aula, já que é impossível separar totalmente os âmbitos profissionais e pessoais. São muitas pessoas com envolvidas, com diferentes expectativas e formas de lidar com o mundo. Os problemas de comportamento se repetem, a reação de um alimenta a reação do outro e com isso cria-se uma relação de influência recíproca entre cada aluno e o professor, e também entre o professor e a turma como um todo.

Resumindo: A carga de trabalho excessiva, o excesso de burocracia, o grande número de alunos por turma, seus comportamentos inadequados e as constantes pressões e cobranças de metas conseguem deixar qualquer educador de cabelo em pé.

Como prevenir 

Os estabelecimentos de ensino devem prestar atenção às cargas e condições de trabalho dos professores para evitar que eles sofram com sintomas relacionados ao estresse, que pode evoluir para transtornos mais sérios como a depressão e a ansiedade generalizada. Evitar turmas muito populosas e jornadas diárias extensas, por exemplo, é um bom começo.

Dentro de sala de aula, algumas ideias para modificar um contexto estressante são estabelecer rotinas com variedades de atividades, incorporar jogos ao conteúdo, criar projetos, evitar conflitos, buscar a participação e a diversão dos alunos.

Para lidar com o estresse ocupacional já existente, é necessário primeiramente identificá-lo pelos primeiros sintomas a surgirem; são eles que alertam que a carga emocional está ultrapassando  o limite do saudável. Com essa identificação, é necessário remediar o estresse e cuidar desse professor, flexibilizando sua função e remanejando tarefas.

A formação docente não prepara o professor para os desafios da profissão, entregando-nos para viver desafios e situações para os quais não estão capacitados. É necessário que eles aprendam e exercitem competências socioemocionais que os possibilitem a enfrentar fontes previsíveis de pressão e mal-estar, e, além disso, desenvolvam melhor as habilidades de interação e comunicação, de modo que consigam conduzir um relacionamento mais saudável e agradável com seus colegas, alunos e responsáveis.

Uma vez que os problemas de sala de aula e o mau comportamento continuarão a ser um obstáculo para os profissionais da educação, todos devem focar em trabalhar a inteligência emocional e as competências para lidar com isso da melhor maneira possível. Essas capacidades são de suma importância para a preservação da saúde e da qualidade de vida do docente.

Texto escrito em parceria com a psicóloga Thamara Tabera 

Fontes:

A Prática da Psicologia na escola: introduzindo a abordagem cognitivo comportamental – Org. Débora Fava / .Belo Horizonte : Ed. Artesã, 2016
A síndrome de Burnout em professores do ensino regular: pesquisa, reflexões e enfrentamento Levy, Gisele & Sobrinho, Francisco ( organizadores). Ed. cognitiva
Abordagens cognitivo – comportamentais no contexto escolar. Juliana Mendes Alves e colaboradores. Ed Sinopsys.

 

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