Todos contra o Bullying

por | 29 out, 2019

Leitura: 6 minutos 

Dicas de como percebê-lo e trabalhá-lo dentro das escolas. 

A palavra bullying entrou em voga no Brasil há não muito tempo, e é comum ouvirmos dizer por aí que ‘antigamente todo mundo era zoado na escola e sobrevivia’, enquanto hoje ‘tudo é bullying’, mas a verdade é que sim, a violência já existia há tempos e não era tratada com a devida importância. Muitas pessoas que sofreram bullying realmente sobreviveram e continuarão sobrevivendo, mas muitas carregam grandes traumas que poderiam ser evitados com as devidas atenção e prevenção.

Hoje vamos dar algumas dicas de como melhorar esse cenário e reforçar que brincadeira é quando todos estão se divertindo, quando há sofrimento não é mais brincadeira.

Afinal, o que é o bullying?

O termo, em língua inglesa, vem de bully, que significa “valentão”. Ele designa um subtipo de violência que é caracterizado quando o indivíduo é exposto de forma recorrente a atos de agressividade intencionais, de formas diretas e/ou indiretas. Os ataques podem ocorrer com ou sem motivação evidente e têm o objetivo de intimidar ou agredir uma pessoa que não tem a possibilidade ou a capacidade de se defender.

É comum existir uma espécie de hierarquia velada dentro de sala de aula, onde alguns alunos se impõem como líderes e outros acabam por se subjugar a eles. É daí que geralmente vem  o bullying, que pode se iniciar como uma brincadeira sem grande intenções negativas e evoluir para uma violência sistemática  envolvendo bastante angústia e sofrimento.

Consequências a curto e longo prazo

Sendo um estressor social, o bullying pode dificultar o desenvolvimento saudável dos envolvidos, independente do papel que eles desempenhem, seja o de vítima,  agressor ou até testemunha. Em decorrência do estresse vivido em função dessa violência, percebe-se que as crianças apresentam, com maior frequência, necessidade de acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico e reportam maior insatisfação escolar que crianças que não são expostas a ele.

No desenvolvimento a longo prazo, crianças e adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com baixa autoestima e insegurança; tendem a apresentar problemas de relacionamento e, inclusive, se tornarem agressivos. Apresentam também um elevado risco de desenvolver transtornos psiquiátricos e emocionais, como por exemplo síndrome do pânicoansiedade generalizada e ideação suicida. As crianças e jovens que desempenharam o papel de agressores podem apresentar um comportamento antissocial na vida adulta, tendo maior probabilidade de desenvolver transtornos de conduta e abuso e/ou dependência de substâncias psicoativas.

Atenção: na equação do bullying, todos são vítimas

Quando tratamos do assunto do bullying é bastante comum focar no cuidado com a vítima, mas é muito importante prestar atenção no outro lado dessa equação: o agressor, que também precisa de acolhimento, pois está reagindo a processos internos que estão sendo externalizados na forma das agressões. Ele também está em sofrimento e comporta-se dessa forma devido a uma desregulação emocional.

Não é simplesmente protegendo os “atacados” dos “atacantes” que se resolve o problema. O trabalho focado no desenvolvimento socioemocional de todos os envolvidos é o melhor caminho possível para uma resolução saudável. 

Como identificar o bullying

Ele costuma se manifestar de três diferentes formas, às vezes complementares: 

  • Verbal: se dá por meio de ameaças, acusações injustas e difamações, muitas vezes bem sutis
  • Física: através de agressões como tapas, chutes e empurrões
  • Relacional: com deboches, apelidos pejorativos e insultos

Ultimamente, entrou nessa lista também o cyberbullying, caracterizado pelas humilhações e ataques que ocorrem no meio virtual, como postagens de conteúdos vexatórios e até a divulgação de fotos íntimas. Com a internet estando cada vez mais presente na rotina, essa modalidade do bullying vem se tornando bastante comum, e suas consequências podem ser ainda mais devastadoras, visto que suas reverberações passam do âmbito escolar para uma escala bastante maior.

É necessário estar bastante atento ao comportamento dos alunos dentro e fora de sala de aula, não apenas como um todo, mas de forma individual. Observar qual aluno parece mais quieto e isolado, porque esses indícios podem identificar uma agressão que talvez não esteja sendo tão explícita. Todos os adultos que lidam com esse jovens devem dispensar essa atenção, já que a violência pode e costuma acontecer fora da sala de aula, como por exemplo no pátio ou no transporte escolar.

Confira abaixo alguns sintomas que vítimas e agressores costumam apresentar:

Sintomas que vítimas e agressores de bullying podem apresentar (Lisboa, Lindern, Diel, & Weber, 2014; Garaigordobil, 2011)

Além das vítimas e dos agressores, é importante se atentar também à presença das testemunhas, que são as crianças e jovens que podem não estar participando diretamente da violência, mas que a observam diariamente e podem estar tanto sendo afetados, ainda que de forma indireta, como sendo negligentes a ela e, com isso, colaborando para sua manutenção.

Como lidar com o bullying

O mais importante, além da observação, é o diálogo.

  • Os professores podem promover e impulsionar rodas de conversa sobre o tema, utilizando recursos como livros, notícias e produções audiovisuais com o objetivo de orientar e buscar estratégias entre a própria turma, dentro de sala de aula. 
  • Além das rodas de conversa, é necessário trabalhar individualmente com os envolvidos, incentivando o agressor a refletir sobre suas ações, e também orientando as vítimas a reportarem os abusos e pedirem ajuda.
  • A escola pode incentivar lideranças positivas que promovam ações de melhoria na prevenção desse comportamento
  • Os pais devem estar sempre a par do que ocorre na escola, assim como os coordenadores e professores devem também ter uma ideia do que acontece em casa. Essa parceria é muito importante para a manutenção do bem estar dos alunos e para a identificação de comportamentos e sentimentos que podem não estar sendo demonstrados ou percebidos em algum dos dois contextos. 
  • A escola pode providenciar também atividades extras que proponham estratégias de engajamento entre os alunos e também com as famílias, por meio de eventos, palestras e rodas de conversa fora de sala de aula.
  • A escola pode também utilizar, com os alunos, as estratégias da Comunicação Não Violenta. As teorias de CNV foram criadas pelo americano Marshall Rosenberg e consistem na prática de uma comunicação clara e empática, que almeja encontrar um caminho em que todas as pessoas falem o importante sem atacar o outro, culpando-o, humilhando-o, envergonhando-o, coagindo-o ou ameaçando-o. É um método que tem se apresentado muito útil na resolução de conflitos.

O que o VOA tem a ver com isso?

Nossa plataforma facilita e estimula o registro das  evidências comportamentais apresentadas pelos alunos, organizando as informações de forma prática para que os professores consigam avaliar se essas características são pontuais ou continuadas. Com a quantificação desses dados, fica mais fácil também a análise de todo e a criação de estratégias.

Dicas de mais materiais sobre o assunto

Bônus: dicas de obras de ficção que abordam a temática

  • Extraordinário, de R. J. Palacio e sua adaptação cinematográfica
  • A Lista Negra, de Jennifer Brown
  • Fale, de Laurie Halse Anderson
  • O Galinho Chicken Little

Texto escrito em parceria com a psicóloga Thamara Tabera

 

Fontes:

  • Livro A prática cognitiva na infância e na adolescência 
  • Bressan, R.A. Kieling, C., Estanislau, G.M., & Mari, J.J ( 2014). Promoção de saúde mental e prevenção de transtornos mentais no contexto escolar. In Estanislau & Bressan ( orgs). Saúde mental na escola: O que os educadores devem saber ( pp.37-48). Porto Alegre: Artmed.
  • Garaigotdobil, M. (2011). Bullying y cyberbullyng: Conceptualización, prevalencia y evaluación. Formación Continuada a Distancia (FOCAD). Duodécima edición, 1-22.

 

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