Cada voo é único, mas alguns voos são ainda mais únicos que outros

por | 8 abr, 2019

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A atenção individualizada às habilidades socioemocionais são o caminho para a inclusão. 

 Abril é o mês da conscientização sobre o autismo, e todo mês de conscientização é importante para que possamos voltar nossos olhares a determinados assuntos e trabalhar neles. Só a informação pode diminuir o medo, o preconceito e aumentar a inclusão. A Organização Mundial de Saúde estima que há 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo, sendo que desses, 2 milhões são no Brasil. Estima-se que uma em cada 88 crianças apresenta traços do autismo. Mesmo com essa quantidade de pessoas diagnosticadas, acreditamos que um dos principais problemas do autismo ainda é a falta de conhecimento sobre o assunto. 

A pluralidade do Autismo

Nos últimos anos, muitos olhos tem se voltado para a questão do autismo e parece que cada vez mais crianças vem sendo diagnosticadas com essa condição. Isso acontece não porque, de fato, o mundo tenha mais autistas hoje do que antigamente – e sim porque antigamente muitos dos casos não eram diagnosticados, justamente pelo fato do transtorno possuir diferentes graus. Quando falamos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), estamos falando de uma infinidade de possibilidades. É como se pegássemos um pincel, molhássemos na tinta e espalhássemos a cor no papel. A primeira pincelada ficará mais forte, mas aos poucos essa cor vai clareando. Assim é o espectro e sua gama de sintomas e intensidades.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a referência mundial de critérios para diagnósticos, pessoas que estão dentro do espectro do autismo podem apresentar dificuldades intelectuais, de coordenação motora e de atenção e, embora todas as pessoas com TEA partilhem dessas características, cada uma delas é afetada em uma diferente intensidade, o que resulta em situações muito particulares. É disso que falamos quando falamos, no título, que alguns vôos são ainda mais únicos que outros. Se cada pessoa é única, constitui uma identidade única e possui necessidades únicas, uma pessoa que está dentro do espectro é duplamente única e precisa de ainda mais atenção às suas particularidades para que possa ser compreendida e acolhida pela sociedade, como qualquer outra criança.

De onde vem o autismo

As pesquisas científicas na área da saúde vêm, ao longos dos anos, concentrando seus esforços nos estudos sobre o TEA, e atualmente suas causas não são totalmente desconhecidas, embora também ainda não sejam concretas. Há evidências de que causas hereditárias explicariam apenas metade do risco de uma pessoa desenvolver TEA, e que fatores ambientais que impactem o feto, como estresse, infecções, complicações durante a gestação, exposição a substâncias tóxicas e desequilíbrios metabólicos teriam a outra metade do peso na possibilidade do aparecimento do espectro.

 

Educação e Inclusão

Nossa área não é a da saúde, ao menos não no campo científico, então preferimos deixar essa especificidade do assunto para quem realmente entende dela; nossa batalha, através da busca por uma atenção individualizada na educação, é pela inclusão. Segundo essa reportagem do G1, publicada no último dia 2 de abril, o número de crianças com autismo matriculadas em escolas comuns cresceu 37% em relação ao ano passado. Isso significa uma preocupação cada vez maior das escolas em aceitar, compreender e acolher o diferente, e para que isso aconteça da melhor maneira possível é necessário entender como esse trabalho está sendo feito e, poder então, potencializá-lo. É importante dizer, também, que o diagnóstico do autismo não é, de maneira nenhuma, um atestado de incapacidade! Ao invés de encará-lo como uma barreira, as famílias e as escolas podem focar no fato de que esse diagnóstico pode ajudar a todos os que estão em volta a entenderem melhor a criança e, assim, poder buscar estratégias para lidar da melhor maneira com os eventuais distúrbios de comportamento – lembrando ainda que não existe uma receita, e que o ponto de partida é sempre a própria criança. 

Cada criança é o piloto do próprio vôo, os professores são as turbinas e a atenção às diferentes características e habilidades socioemocionais é o painel de bordo, que consegue captar o maior número possível de informações, quantificá-las e aplicá-las para o melhor desempenho de cada um desses vôos.

Pensando no contexto escolar, um microcosmo da sociedade, é necessário também criar estratégias sobre como educar todas as outras crianças que estão em volta, para que elas cresçam sabendo aceitar as diversidades, seja ela em que âmbito for. Segundo Bianca Cooper, psicóloga especializada em neurofeedback e mãe de uma criança com TEA, é com informação, orientação, disposição e empatia que podemos formar cidadãos preparados para lidar com a (neuro)diversidade.

Vamos aprender a enxergar com os olhos do outro 

Para finalizar, ilustrando de maneira a suscitar a reflexão de que o “normal” também pode ser apenas um ponto de vista, o trecho abaixo foi retirado do Instagram de Rafael Mantesso, artista e autista:

“Eu sou autista, e isso significa que todos ao meu redor têm um distúrbio que os faz dizer coisas idiotas e sem sentido o tempo todo, não se preocupam com a estrutura correta do que dizem, não focam em tópicos importantes, têm péssimas memórias, insinuam, fazem indiretas, são inseguros, se escondem atrás de brincadeiras e olham fixamente para os meus olhos. ‘Então, porque as pessoas acham que você é esquisito, Rafael?’ Porque há mais deles do que eu.”

 

Texto escrito em parceria com a psicóloga Thamara Tabera

 

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