Programas de Prevenção na Infância

por | 26 mar, 2019

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Conheça algumas metodologias que atuam com base na Psicologia. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de algum transtorno mental – e a previsão, segundo estudos, é de que uma a cada quatro pessoas irá desenvolver um ou mais transtornos mentais ou comportamentais ao longo da vida. Esses números alarmantes comprovam a necessidade da implementação de programas que atuem de forma preventiva, e hoje vamos apresentar alguns dos mais conceituados.

UNESCO

A metodologia pedagógica de prevenção desenvolvida por Jacques Delors e adotada pela UNESCO é firmada em quatro pilares fundamentais para a transmissão da informação e da comunicação adaptada à sociedade. São eles:

Aprender a conhecer: é tornar prazeroso o ato de descobrir, construir e compreender o conhecimento; é criar e incentivar o entusiasmo na busca pelas informações, evitando o desinteresse pelo outro e pelo novo. Esse pilar exercita a atenção, a memória e o pensamento.

Aprender a fazer: é ir além do conhecimento teórico, buscando a eficiência na vida prática. Esse pilar busca ensinar o indivíduo a lidar com situações de trabalho em equipe, empregos, desenvolvimento corporativo e atenção nos valores necessários a cada trabalho.

Aprender a conviver: é a compreensão do próximo, o desenvolvimento dessa percepção do outro, descobrindo que ele é diferente e sabendo lidar com a diversidade; é saber gerenciar crises de relacionamento e participar de projetos em comum. Esse pilar foca na progressão de humanidade, buscando o incentivo de uma convivência saudável em uma sociedade interativa.

Aprender a ser: é o desenvolvimento do pensamento crítico e autônomo e da criatividade, bem como a compreensão do sentido ético da sociedade. O objetivo desse pilar é incentivar o potencial de cada indivíduo, contribuindo para o seu total desenvolvimento e, assim, potencializando a diversidade de personalidades que geram inovação dentro de uma sociedade.

Jacques Delors

CASEL

O programa consiste em aulas sistemáticas que ensinam as crianças a reconhecer e manejar suas emoções, estabelecer objetivos sociais, entender a perspectiva do outro, resolver problemas e desenvolver habilidades interpessoais que culminem em relações positivas. Seus cinco principais grupos de competências trabalhados são a auto percepção, o auto manejo, a percepção social, as habilidades de relacionamento e a responsabilidade na tomada de decisões. Baseado em evidências empíricas, o programa vem mostrando eficácia e melhora significativa dessas habilidades sociais, emocionais e comportamentais e no desempenho acadêmico das crianças, alcançando uma redução expressiva nas condutas problemáticas.

CAST

Destaca-se como programa de prevenção ao suicídio, mais indicado para ser trabalhado com alunos que possuem pouca frequência nas aulas e baixo rendimento escolar. Atua no desenvolvimento de competências e habilidades para a vida pessoal e também investe em aconselhamento e intervenção social junto aos pais e educadores. Programas para a prevenção da violência desenvolvidos pela OMS recomendam intervenções e estratégias específicas para desenvolver um ambiente seguro entre crianças e cuidadores, desenvolver habilidades sociais, reduzir o uso prejudicial de drogas, reduzir o acesso a armas e facas, reduzir crenças sociais e culturais que apoiam a violência e promover o cuidado e o apoio às vítimas identificadas.

FRIENDS

Baseado no tratamento cognitivo-comportamental clínico, foi desenvolvido e adaptado por Paula Barrett, na Austrália, com o objetivo de prevenir transtornos de ansiedade e depressão. Abrange as modalidades de prevenção universal, seletiva e indicada e é reconhecido também como efetivo no tratamento clínico de crianças ansiosa

Dr. Paula Barret, Friends Resilience

Resultados

Programas como esses vêm sendo desenvolvidos e aplicados com foco na prevenção em todos os níveis do campo da saúde mental, e a efetividade dos mesmos é verificada através de contínuas pesquisas e renovações. Essas pesquisas atestam a qualidade das metodologias e facilitam a acessibilidade de profissionais e pacientes que poderão se beneficiar delas. Os dados mostram que os programas SEL (ou aprendizagem socioemocional) geram grandes benefícios no desempenho acadêmico. Conforme pesquisa, as escolas que adotaram os programas, mais de 50% das crianças tiveram progresso nas suas pontuações de desempenho e mais de 38% melhoraram suas médias. Os programas SEL também tornaram as escolas mais seguras: ocorrências de mau comportamento caíram em média 28%; as suspensões, 44%; e outros atos disciplinares, 27%. Ao mesmo tempo, a percentagem de presença aumentou, enquanto 63% dos alunos demonstraram um comportamento significativamente mais positivo. (J. A. Durlak e R. P. Weissberg, A Major Meta Analysis of Positive Youth Development Programs, 2005.)

O desenvolvimento e a promoção de habilidades que favorecem o autoconhecimento, a autorregulação, o reconhecimento do contexto e das expressões dos outros e a resolução de problemas estão relacionados com o bem-estar e a qualidade das relações e da manutenção saudável da sociedade como um todo. Continue de olho aqui no nosso blog, porque em breve traremos mais sobre esse assunto, incluindo posts com dicas para aplicar alguns desses fundamentos!

Texto escrito em parceria com psicóloga Thamara Tabera

Fonte:
Livro A prática cognitiva na infância e na adolescência 

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